De olho no câncer ocular

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De olho no câncer ocular

Nordeste tem mais casos de câncer de superfície ocular. Especialista chama atenção para a incidência do câncer

O câncer ocular é uma doença de prognóstico desfavorável quando detectado em fases avançadas, mas a detecção precoce e o progresso da Medicina têm possibilitado tratamentos com resultados cada vez melhores. O retinoblastoma e o melanoma são os tipos mais frequentes de tumores oculares malignos. O primeiro deles acomete mais as crianças e o segundo é encontrado, mais frequentemente em adultos.

Publicação da revista científica Internacional Journal of Cancer mostrou que a incidência do retinoblastoma no Brasil é o dobro da registrada nos Estados Unidos e na Europa. Enquanto algumas cidades brasileiras registram entre 21,5 e 27 casos desse câncer por milhão, nos EUA, esse valor varia entre 10 e 12 casos por milhão. As pesquisas sobre o tema ainda são iniciais, mas os estudiosos do Inca (Instituto Nacional do Câncer) acreditam que fatores geográficos e ambientais também estejam envolvidos.

Como ressalta a oftalmologista Mônica Müller, especialista em retina clínica e cirúrgica e oncologia ocular. “A incidência de lesões oncológicas da superfície ocular na região Nordeste como um todo é elevada, principalmente por conta da alta taxa de incidência de luz solar nesta região. O segundo principal fator de predisposição é a infecção pelo vírus HPV (Papiloma Vírus Humano), que, infelizmente, tem alta taxa de prevalência entre as classes sociais menos favorecidas”, explica. Porém, muitas vidas têm sido salvas com o diagnóstico precoce.

Cerca de 10% dos casos é transmitido por hereditariedade, podendo comprometer ambos os olhos

O retinoblastoma é originado das células da retina, que é a camada neural do olho sensível a luz. Em 90% dos casos não apresenta causas conhecidas e caracteriza-se pelo desenvolvimento anormal das células da retina na infância, acometendo, de forma mais comum, apenas um olho. Cerca de 10% dos casos é transmitido por hereditariedade, podendo comprometer ambos os olhos. Quando não diagnosticado e tratado precocemente, pode levar à perda de visão e até mesmo ao óbito, devido à disseminação de lesões neoplásicas para outros órgãos (metástases). A retirada do globo ocular é necessária em alguns casos como tratamento, evitando-se assim, que a doença se espalhe para órgãos vitais.

Importância de um diagnóstico precoce

Na busca pelo diagnóstico, a ajuda do pediatra é de extrema importância, mas a avaliação do oftalmologista é essencial, através da realização dos exames necessários para o diagnóstico definitivo e determinação da extensão da doença. Os pais muitas vezes são aqueles que podem observar os primeiro sinais da patologia na criança, procurando a ajuda de um especialista. A oftalmologista Mônica Müller, descreve com detalhes quais são os sinais a serem observados: “Leucocoria (mancha branca no olho) que pode aparecer quando a criança é fotografada com flash ou mesmo podendo ser vista à olho nu; estrabismo (desvio ocular para qualquer direção); redução da visão; buftalmia (aumento do volume ocular) observado em casos avançados da doença.

Reprodução: JORNAL MEIO NORTE 18 E 19/08/2017

2017-09-13T22:29:48+00:00 19/08/2017|Destaque, Notícias|